O Mundo Corporativo de Alice

Por Miguel Passos - Humanamente Consultoria e Desenvolvimento


Me lembro como se fosse hoje do tempo em que eu estava na faculdade e devorava as principais revistas e jornais de negócios da época (quem da minha geração não sente saudades da Gazeta Mercantil?). Até aí, tudo bem, considero este hábito natural e extremamente saudável para quem sonha com uma carreira de sucesso nesse universo.


Porém, assim como acontece no mundo das artes e dos esportes, onde a maioria de nós só consegue enxergar lado glamouroso da coisa, sem se dar conta de que a vida real pode ser bem diferente, no mundo corporativo também existe uma realidade dura e nada glamourosa, que quase nunca está estampada na capa das revistas.


Antes de pensarem que este texto trata de uma crítica ao mundo corporativo, quero deixar bem claro que não. Vivo nele há 20 anos e à ele sou grato por tudo o que aprendi e conquistei. Apenas quero dizer que, aquela inocência do jovem que sonhava com uma bem-sucedida carreira executiva, inspirada nas histórias publicadas em fatos e fotos nos jornais e revistas, desapareceu.


Sim, já teve épocas em que me senti absolutamente encantado com este mundo. Escritórios imponentes, reuniões com altos escalões, conference calls internacionais, as simbologias e os comportamentos tão comuns nesse meio me fazeram pensar “Uauuu...!!! É essa a vida que eu quero pra sempre”. Mas também me lembro das inúmeras vezes em que minha vontade era jogar tudo para o alto e ir em busca de uma vida mais simples na beira da praia.


Assim, a mensagem que quero passar é que o mundo corporativo não é mau, mas também não é o “Mundo de Alice” que as grandes empresas tentam vender para atrair talentos. Quem quer vencer nele tem que ralar muito, abrir mão de muitas coisas mais prazerosas no curto prazo e ter resiliência para suportar inúmeras quedas e frustrações ao longo do caminho.


Também quero dizer que nessa história não tem “certo” nem “errado”. Se nele existe um monte de gente capaz de qualquer coisa, inclusive prejudicar os outros, para conseguir o seu lugar ao sol, por outro lado, existe muita gente interessante e infinitas possibilidades que podem contribuir muito para o nosso crescimento pessoal e profissional.


Ou seja, a questão não é simplesmente rotular o mundo corporativo como bom ou ruim. Ele é o que é, ponto! Como tudo na vida, existem os aspectos positivos e os negativos. Cabe a nós sabermos separar aquilo que se enquadra aos nossos valores e ao nosso propósito de vida para, então, de forma consciente, decidirmos se iremos ser felizes e realizados dentro ou fora dele.

Artigo originalmente publicado no Linkedin


#desenvolvimento

Sobre o autor: Miguel Passos - Membro ERN Negócios


Graduado em Ciências Contábeis, especialista em Direito Tributário pelo IBET/SP e MBA em Administração Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV/SP. Ampla vivência em liderança de pessoas e projetos, adquirida em 20 anos de atuação nas áreas Tributária e de Controladoria em grandes organizações, como Deloitte, Braskem, Walmart, e PwC. Desde 2018 se dedica ao Desenvolvimento Humano.

É fundador da Humanamente Consultoria de Desenvolvimento, Coach de Vida e Carreira pela Sociedade Brasileira de Coaching, Analista Comportamental DISC Profiler, Master Practinioner em PNL e Mentor de Negócios

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